
Eu sou o instante em que habito
Hoje mesmo fui um dia típico europeu
Um cantar de pássaro,
um fusca amarelo que dobra a esquina
Fui amontoado de tarefas, problemas
que duplicam-se só no ato de pensá-los
por instantes fui pedinte e ultrajado
no momento de ser três esfomeados
quase sempre sou algo
mas também já vim a ser nada
sou a simultaneidade dos fatos
e a casualidade dos atos
Nessa de ser por estar
sem saber em que estrofe viver
o que me mata é o constante questionar
não do que sou, mas do que posso vir a ser
Leonardo Guimarães